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Dr. Daniel Becker alerta sobre o risco silencioso da perda auditiva entre crianças e adolescentes

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Dr. Daniel Becker alerta sobre o risco silencioso da perda auditiva entre crianças e adolescentes

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10 min.

saúde auditiva

Publicado em 20 de junho de 2026

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Quando pensamos em perda auditiva, é comum associarmos esse problema ao envelhecimento. No entanto, essa realidade vem mudando rapidamente. Cada vez mais crianças e adolescentes estão expostos a níveis elevados de ruído por longos períodos, aumentando o risco de desenvolver alterações auditivas ainda na infância.

Neste artigo, o renomado pediatra Dr. Daniel Becker alerta para os principais fatores de risco, explica como identificar os primeiros sinais de perda auditiva infantil e apresenta orientações práticas para que pais e responsáveis protejam a audição de seus filhos desde cedo.

Crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos ao excesso de ruído

Fones de ouvido em volume elevado, shows, festas, videogames, celulares, tablets e ambientes barulhentos passaram a fazer parte da rotina de crianças e adolescentes.

O problema é que, muitas vezes, o volume ultrapassa facilmente os níveis considerados seguros para a audição, principalmente quando essa exposição acontece durante várias horas seguidas.

Como consequência, cresce a preocupação dos especialistas com a saúde auditiva infantil e com os impactos que esses hábitos podem causar ao longo da vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de jovens no mundo estão em risco de desenvolver perda auditiva devido a hábitos de escuta inseguros.

O mais preocupante é que os danos costumam acontecer de forma silenciosa.

A perda auditiva pode começar muito antes do que se imagina

A audição infantil é mais sensível do que muitos pais imaginam.

Sons intensos e repetitivos podem provocar lesões nas delicadas células do ouvido interno responsáveis por captar os sons. Diferentemente de outras estruturas do organismo, essas células não se regeneram quando sofrem danos.

Isso significa que a perda auditiva provocada pelo excesso de ruído pode ser permanente.

Além disso, a perda auditiva geralmente acontece de maneira gradual, fazendo com que seus primeiros sinais passem despercebidos ou sejam confundidos com distração, dificuldades de aprendizagem ou alterações comportamentais.

O uso de fones de ouvido exige atenção

O uso frequente de fones de ouvido é um dos principais fatores de risco para a saúde auditiva de crianças e adolescentes.

Como o som é transmitido diretamente ao canal auditivo, a exposição em volume elevado potencializa os danos, principalmente quando ocorre por períodos prolongados.

Com celulares, tablets e jogos online cada vez mais presentes na rotina, muitos jovens passam várias horas por dia utilizando fones de ouvido.

Um hábito aparentemente simples pode representar um risco importante: utilizar o volume acima de 60% da capacidade máxima do dispositivo, especialmente sem pausas ao longo do dia.

Com o passar do tempo, começam a surgir sinais que não devem ser ignorados, como:

  • zumbido;
  • sensação de ouvido abafado;
  • dificuldade para compreender conversas;
  • necessidade de aumentar constantemente o volume da televisão, do celular ou dos fones.

Sinais de perda auditiva em crianças: o que os pais devem observar

Nem sempre a criança consegue perceber ou comunicar que está ouvindo menos.

Na maioria das vezes, os primeiros sinais aparecem no comportamento e na rotina diária.

Pais e responsáveis devem ficar atentos quando a criança:

  • aumenta frequentemente o volume da televisão, do celular ou do tablet;
  • apresenta dificuldade para compreender conversas em ambientes barulhentos;
  • pede constantemente para repetirem o que foi dito;
  • fala muito alto;
  • demonstra desatenção;
  • apresenta irritabilidade;
  • tem queda no desempenho escolar;
  • enfrenta dificuldades de aprendizagem;
  • relata zumbido;
  • sente o ouvido abafado após exposição a sons intensos.

Na adolescência, é comum que sintomas como zumbido após festas ou sensação de ouvido tampado depois do uso prolongado de fones sejam considerados "normais". No entanto, esses episódios podem representar um sinal precoce de lesão auditiva.

A audição influencia diretamente o desenvolvimento infantil

Ouvir bem é essencial para o desenvolvimento da linguagem, da comunicação, da aprendizagem e das relações sociais.

Durante a infância, alterações auditivas podem comprometer:

  • o desenvolvimento da fala;
  • o processo de alfabetização;
  • o desempenho escolar;
  • a interação social;
  • a autoestima.

Além disso, estudos demonstram que, ao longo da vida, a perda auditiva não tratada pode aumentar o risco de isolamento social, depressão, declínio cognitivo e demência.

Por isso, proteger a audição desde cedo significa cuidar da saúde durante todas as fases da vida.

Como prevenir a perda auditiva em crianças e adolescentes

Assim como os pais acompanham vacinação, alimentação, visão e crescimento, a saúde auditiva também deve fazer parte da rotina de cuidados.

Algumas medidas simples ajudam a prevenir alterações auditivas:

  • controlar o volume de celulares, tablets e outros dispositivos;
  • limitar o tempo de uso contínuo dos fones de ouvido;
  • evitar exposição prolongada a ambientes muito barulhentos;
  • utilizar proteção auditiva quando houver exposição intensa ao ruído;
  • observar mudanças no comportamento relacionadas à audição;
  • procurar avaliação médica diante de sinais persistentes.

São hábitos simples que podem fazer grande diferença na preservação da audição ao longo da vida.

Quando fazer um exame auditivo?

Muitas escolas solicitam uma avaliação audiométrica no início do Ensino Fundamental, o que representa uma excelente oportunidade para verificar a saúde auditiva da criança.

Além disso, crianças e adolescentes que utilizam fones de ouvido frequentemente ou permanecem expostos a ambientes ruidosos podem se beneficiar de avaliações auditivas periódicas.

O diagnóstico precoce permite identificar alterações antes que elas afetem o desenvolvimento, a aprendizagem e a qualidade de vida.

Cuidar da audição é cuidar do futuro

Criar hábitos auditivos saudáveis desde cedo é uma das formas mais eficazes de proteger o desenvolvimento infantil.

Ao incentivar o uso consciente dos fones de ouvido, controlar a exposição ao ruído e buscar avaliação especializada sempre que necessário, pais e responsáveis contribuem para que crianças e adolescentes cresçam com mais qualidade de vida, melhor comunicação e maiores oportunidades de aprendizagem.

A audição acompanha cada etapa da vida. Cuidar dela hoje é investir no futuro.

Autor

Dr. Daniel Becker, Pediatra


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